"Ajoelhe-se, e lamba meus dedos manchados de sangue,
Sinta minha pele empalidecida por séculos de guerras,
Olhe em meus olhos, e veja o maldito abismo infernal sem fim,
Veja meus dentes sujos de rubro, pergunte o quanto foi prazeroso,
Me chame de seu Rei, com sua língua enrolada.
Secretamente, as feridas se fecham sozinhas,
Misteriosamente, a vida se esvai do corpo,
Para alimentar essa casca desprovida de vida,
Atinja o fundo daquilo que uma vez foi meu coração,
Mesmo se encontrar o que restou dele, imundada com tristeza,
Deve estar lá dentro da tumba, com meu antigo nome cravado no cimento.
Mesmo se observar somente a minha beleza,
Nunca encontrará a minha alma perdida,
A sua persistência em mim, sedutora tentação, ainda é amor?
Quantas mulheres mais até eu estar satisfeito?
Não sou mais aquela criança humana inocente.
Me ame, fique de joelhos, e beije os meus pés amaldiçoados,
Grite com sua garganta "Meu Rei",em tons bem altos,
A sua existência é a prova da minha misericórdia,
Se erguer na dor, com total devoção, me implorando,
Para ter uma lágrima do meu coração derretido,
Elas podem ter sido as suas últimas palavras."
Autor: Leonardo Akashiya.

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