Poemas #12 - Seu Rei.



"Ajoelhe-se, e lamba meus dedos manchados de sangue,
 Sinta minha pele empalidecida por séculos de guerras,
 Olhe em meus olhos, e veja o maldito abismo infernal sem fim,
 Veja meus dentes sujos de rubro, pergunte o quanto foi prazeroso,
 Me chame de seu Rei, com sua língua enrolada.

 Secretamente, as feridas se fecham sozinhas,
 Misteriosamente, a vida se esvai do corpo,
 Para alimentar essa casca desprovida de vida,
 Atinja o fundo daquilo que uma vez foi meu coração,
 Mesmo se encontrar o que restou dele, imundada com tristeza,
 Deve estar lá dentro da tumba, com meu antigo nome cravado no cimento.

 Mesmo se  observar somente a minha beleza,
 Nunca encontrará a minha alma perdida,
 A sua persistência em mim, sedutora tentação, ainda é amor?
 Quantas mulheres mais até eu estar satisfeito?
 Não sou mais aquela criança humana inocente.

 Me ame, fique de joelhos, e beije os meus pés amaldiçoados,
 Grite com sua garganta "Meu Rei",em tons bem altos,
 A sua existência é a prova da minha misericórdia,
 Se erguer na dor, com total devoção, me implorando,
 Para ter uma lágrima do meu coração derretido,
 Elas podem ter sido as suas últimas palavras."

Autor: Leonardo Akashiya.

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