Poemas #11 - O Palácio Sangrento.



"Ruínas decadentes, plantas necrosadas, carvalhos sem vida,
  Poeiras, e ácaros tampando os poros deste templo, as escadas quebradas, o cheiro encardido...
  Aquele odor de desespero, da dor, mortes dolorosas, o mal enraizado nas paredes,
  Ressuscitando a cada gota vermelha do líquido humano mais precioso,
  Precisando ser destruído algum dia, por mãos de piedade,
  Necessitando ser erradicado, alvejado, queimado,

  As vezes, é necessário entender a guerra pessoal de cada um,
  Com as pitadas de verdade, cheio de coberturas amargas,
  Um passado sem escolhas, feito de outras pessoas,
  Trazendo um macabro pesadelo, frio e escuro,
  Moldado por espadas, facas, e baionetas enferrujadas pelo tempo,
  Lágrimas sensatas de verdadeiros guerreiros, mestres das trevas,

  A cada valsa,  longos períodos de séculos, dormentes e inatos,
  Novos convidados são eleitos dignos, aptos,tentados,
  Presas frescas, para de deleitar neste banquete dos ancestrais,
  Cruel destino, mas um justificável sacrifício a este lindo palácio,
  Nosso magnífico castelo sobrevivente, cheio de vítimas mortais,
  Nutrindo as veias desta residência, com suas veias, artérias, órgãos, ossos...

  E sangue, envolto de uma mentira milenar, a crença do dança eterna,
  O ditado escrito em linhas inversas, polidas com descendentes modernos,
  Fazendo justiça para nós, mesmo com seres tão imundos, subjugados,
  Vivendo no escuro, no subsolo desta enorme residência esquecida por imortais,
  O lado oculto desse poema, nunca dito em livros, ou lendas, até na mitologia,
  Demônios também choram."



 Autor: Leonardo Akashiya

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