"Longas ruas, estreitas e sem luz, se esgueirando a cada dobra, se tornando becos, com menos casas, mais muros e concreto, e por fim, matos junto a entulhos cobrem a paisagem de uma velha placa amarela dizendo em letras maiúsculas... SEM SAÍDA. Um silhueta anda sem pressa entre o espaço dos lixos e da calçada, cerca de 1,90 com longos cabelos encontrando suas costas, uma camisa surrada, vestido de uma calça rasgada pelo tempo, e um All Star surrado que faria inveja a Kurt Cobain, ao ponto do próprio abandonar sua tumba e furta-lo. Engolido pela amargura, fracassos e decepções, nada além de pensamentos negativos, com memórias anteriores de lembranças ardidas, o coração despedaçado cheio de remendos, relembrando aquele quarto de hospital visitado mais cedo, a prescrição médica cheia de palavras como tumor e maligno, o homem segue sozinho por uma das ruas, logo chegando a um beco, pensando em chorar, mas os grandes sábios diziam que sem alma, não existem remorsos, tão pouco lágrimas. O peso de seu corpo, junto de seus pecados, o fazem tombar para os lados, e cair em latas cheias de lixo cheias de latas de coca-cola, fast foods, e sobras de um almoço de domingo. O ser olha para o céu escuro, tenta contar as estrelas, mas não encontrar uma. Então, começa a crer em algo superior, embora já tenha acreditado em mais de meia dúzia de entidades diferentes que lhe negaram seu único suplício. A dor chega, seus olhos lacrimejam, teu peito doe, e ele chama mais uma vez... tento enfim um maldito resultado... e lá esta ela, a 1 metro de distância da sarjeta que caiu, o olhando, como um recrutador olha para um jovem candidato a possível vaga que será reprovado, e sem misericórdia, o chama com um olhar sem olhos , uma face esquelética, seus dedos pútridos e sem carne... sabendo que é a hora da colheita. O homem compreende, aceita o trato, tudo pelo bem que acredita ter feito, mesmo justificando seu meio absurdo, pelos fins, por esse sobrenatural, e único. Ele se ergue, de pé, estende sua mão, e em um último ato de perdão, se lembra de tudo o que fez, por quem fez, e tudo se resume a aquilo... e como forma de clemência, a entidade se faz de bela, mostra ao senhor uma face, um alguém que fez tudo valer a pena... ó senhora ceifeira, e aquele rosto de uma jovem de 16 anos, olhos pretos, com lindas sardas e mechas de cabelo ruivo, sorriso perfeito, uma paz eminente, e diz que é a sua hora... e assim, algo sai de seu corpo quente, uma clarão que os mortais descrevem como alma, esvai de seu ser. Um beco, uma história, um corpo sem vida, perde sua alma, ó doce proposta mortal, que faz um ninguém desistir de sí, para salvar um alguém."
Autor: Leonardo Akashiya.


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