*A Mudança*
"Toc toc" ouço alguém na porta:
_Senhorita Lucy? Está na hora, não se atrase!
O relógio digital que ganhei no meu último aniversario sobre a penteadeira, marcava 5h AM., a data logo abaixo estava embaçada pela formação de gotículas na tela do relógio, não me importei muito. Me levantei, olhei-me no espelho e percebi uma enorme mancha preta sob meus olhos. "_Maravilhoso Lucy! Parece um panda! Incrível como você consegue ser mais patética a cada dia.", pensei comigo mesma. Me despi dos meus pijamas, tomei minha toalha no cabideiro de acácia, que Papai trouxera da Suécia no ano anterior e me dirigi ao banheiro. Prendi o cabelo com ele próprio num côque frouxo, ele ainda cheirava a tinta e shampoo, eu havia pintado-o de rosa na noite anterior, e liguei a água quente do chuveiro. Coloquei os pés sob a água, e ainda não estava quente o bastante, mas mesmo assim coloquei meu corpo sob a água de uma só vez. Fiquei observando a água quente passando por entre meus dedos e sentia sua temperatura aumentar gradualmente, encostei a cabeça no vidro do box, que estava totalmente embaçada pelo vapor da água e fiquei ali por algum tempo. Desliguei o chuveiro e puxei minha toalha, a enrolei em meu corpo e caminhei até a pia do banheiro. O espelho se encontrava embaçado pelo vapor e passei sobre ele uma das mãos para eu pudesse ver o meu reflexo, me deparei com meu rosto mais pálido que o normal, agora as manchas escuras das olheiras sob meus olhos, que estavam completamente vermelhos, ganhavam um destaque maior ainda e meus lábios estavam roxos, como se estivesse usando um batom escuro, "_Que estupidez! Eu vou acabar morrendo um dia se isso cintunuar!", disse para mim mesma num sorriso irônico.
Saí do banheiro, fui até o guarda-roupas e o abri, "_Não faço ideia do que tenho programado pra hoje, mas um pretinho básico resolve tudo. Ah claro, todas minhas roupas são pretas", pensei. Selecionei com muito cuidado uma roupa que se encaixaria a qualquer ocasião, me vesti e me vi vestida como estava todos os dias: uma camisa preta básica, um Jeans rasgado e meu Allstar favorito que estava em situações precárias, "Estou maravilhosa, ou não, tanto faz.", pensei comigo mesma enquanto me maquiava em frente a penteadeira. Peguei o celular que estava sobre o móvel, ao lado dele, o relógio marcava 6:12 AM, apertei a tecla central do celular e não havia nenhuma notificação, peguei meus fones de ouvido na gaveta da penteadeira e logo os coloquei, deixei meu celular no bolso da calça e fui ao encontro de meu pai na sala de jantar, como de costume.
Saí do quarto e enquanto descia as escadas de carvalho que eram polidas semanalmente, onde eu sempre brincava enquanto criança e ganhei uma cicatriz com quatro pontos na perna por ter escorregado em meus próprios cadarços quando chegava da escola a alguns anos, percebi que os móveis estavam todos embalados, era provável que Papai iria mudar toda a decoração outra vez, logo agora que eu estava me acostumando com aquele estilo vintage que papai teria adotado na França em sua última viagem ao país. Continuei a descer as escadas até a sala de estar e segui pelos corredores que levavam até a sala de jantar, ao chegar percebi que algo bom estava prestes a acontecer pela expressão no rosto de Papai, ou algo nem tão bom assim.
_Bom dia Lucy! Está preparada? Pois hoje iremos nos mudar, e um novo capítulo espera por você!_ ele disse, feliz e entusiasmado
Espantada, olhei para o calendário ao lado da mesa de café da manhã, era uma quarta feira, dia 25 de março de 2013, para ser exata. Fitei meu pai sentando a mesa por alguns segundos e o respondi, ironicamente:
_Ah Papai, eu queria tanto me mudar ontem, mas eu perdi a vontade._ uma lágrima se formou no canto do meu olho e ele a percebeu, se levantou da mesa, caminhou até mim, me deu um abraço agradável e disse:
_Minha querida, eu sei que você não quer ir, mas é uma nova forma de você conhecer lugares e pessoas novas, eu prometo que logo iremos retornar ao Brasil, eu sei que você estará deixando muita coisa para trás, mas você conquistará tudo outra vez. Agora limpe esse rostinho e tome café, já iremos sair._ Me deu um beijo no rosto e se retirou.
Retornei para o meu quarto e peguei minha mala de mão e meu livro favorito que estava junto a ela. Desci para a garagem, papai me esperava no carro, no Corolla para ser mais específica, pois ele tinha mais de quarenta carros, alguns colecionáveis com valores insubstituíveis. Ele acenou para mim que estava do lado de fora. Abri a porta traseira do lado direito, sorri para ele no retrovisor, coloquei meus fones e abri o livro, ele retribuiu meu sorriso com uma piscada de olho, ligou o carro e seguiu em direção ao Aeroporto, seguimos todo o caminho em silêncio .
(Ah meu Deus, onde eu estava com a cabeça! Olá muito prazer, eu sou Lucy Decker, tenho 16 anos, ou melhor, eu tinha, sou Brasileira mas moro na Dinamarca atualmente. Vou contar para vocês uma história bem complicada, porém com coisas incríveis, eu sou a protagonista dessa história e essa história, é a minha história....)
Chegando no Aeroporto, um dos motoristas particulares de Papai estava a nos esperar, eu não me lembro muito bem o nome dele, Charlie ou Charles, creio que algo do tipo, um homem alto com uma postura definida, já ouvi alguns dos empregados da minha casa, antiga casa na verdade, dizer que aquela postura se devia ao treinamento militar por qual ele passára, porém, se machucou em um teste e não pode mais servir por não conseguir mais correr, então meu pai lhe ofereceu emprego. Papai se aproximou dele é ambos começaram a conversar, não presteiatenção pois estava focada nos pombos que estavam no jardim do aeroporto. Me sentei num banco de madeira ali próximo, aumentei o volume da música no fone, uma lágrima escorreu pelo meu rosto, eu estava deixando a minha história para trás, a minha vida, os meus amigos... Ah, nunca tive amigos, sempre sozinha, as pessoas diziam que eu era "boa de mais" para me misturar a elas, eu nunca soube o motivo disso ao certo, mas nunca colaborou com a minha saúde mental. Enxuguei a lágrima com o dedo e me pus a observar os pombos.
_Lucy?_ meu pai chamou_ Vamos, o Avião já vai sair. Não podermos perder o vôo.
_Estou indo Papai. _ respondi rouca, prendendo o choro que estava dentro de mim._ me levantei e caminhei em direção ao meu pai que estava em pé na frente da porta do aeroporto, ele me olhou, deu um sorriso e disse tranquilo e sensato:
_Me desculpe minha querida, isso é necessário. Mas eu prometo que você não vai sofrer com isso._ acenei com a cabeça dizendo que sim, não queria chorar na frente de meu pai, um homem tão forte e corajoso, não merecia ter uma filha tão fraca e frágil como eu era.
Seguimos para a área de embarque, permaneci de fones por todo o percurso, Papai foi até um guichê para selar as bagagens e as passagens, me sentei em uma poltrona na ala de espera da Primeira Classe e me distraí passando os dedos pelo meu cabelo, quando me dei por mim, havia um garoto alto sentado a duas poltronas de mim, seus olhos eram castanhos como o Carvalho da escada da casa que eu havia abandonado aquela manhã, seus cabelos eram encaracolados e pareciam não ser penteados quase nunca, sua pele era branca, chegando a ser pálida feito papel, e suas vestes eram totalmente pretas, e assim como eu, ele também usava um Allstar surrado, ele estava olhando para mim, tentei disfarçar mas sem querer nossos olhos se encontraram e senti como se um milhão de borboletas saíssem do meu estômago, ambos disfarçaram o olhar. Fiquei vermelha, nunca havia tido tal reação ao encarar uma pessoa. Meu pai apareceu por trás de mim, vendendo meus olhos, ele me deu um beijo no rosto e me entregou um saquinho marrom e sussurrou:
_A viagem vai ser longa, não quero que você se sinta cansada quando chegarmos, esse remedinho vai te fazer dormir por todo trajeto do avião.
_Obrigada Papai_ eu disse tomando o saquinho dele, me levantei, abri o saquinho e tomei o comprimido que estava dentro.
Seguimos para embarcar no avião, olhei para a esquerda e o garoto misterioso estava no mesmo lugar com a cabeça baixa, Papai reparou q olhei para o rapaz e soltou uma piadinha a respeito:
_Não posso te deixar dez minutos sozinha que você se apaixona por um estranho gótico._ Não dei ouvidos e ele se calou. Seguimos para o embarque.
_27 & 28, 29 & 30... aqui estão nossos acentos, 31 & 32, querida, sente-se na janela._ caminhei até meu acento, as pessoas no avião olharam pra mim de uma forma estranha, bom, talvez um cabelo rosa chame muita atenção sim. Me sentei na poltrona, Papai sentou ao meu lado e segurou minha mão. Eu encostei a cabeça no vidro da janela, e antes mesmo do Avião levantar vôo, eu já estava dormindo
_Lucy...?
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_Senhorita Lucy? Está na hora, não se atrase!
O relógio digital que ganhei no meu último aniversario sobre a penteadeira, marcava 5h AM., a data logo abaixo estava embaçada pela formação de gotículas na tela do relógio, não me importei muito. Me levantei, olhei-me no espelho e percebi uma enorme mancha preta sob meus olhos. "_Maravilhoso Lucy! Parece um panda! Incrível como você consegue ser mais patética a cada dia.", pensei comigo mesma. Me despi dos meus pijamas, tomei minha toalha no cabideiro de acácia, que Papai trouxera da Suécia no ano anterior e me dirigi ao banheiro. Prendi o cabelo com ele próprio num côque frouxo, ele ainda cheirava a tinta e shampoo, eu havia pintado-o de rosa na noite anterior, e liguei a água quente do chuveiro. Coloquei os pés sob a água, e ainda não estava quente o bastante, mas mesmo assim coloquei meu corpo sob a água de uma só vez. Fiquei observando a água quente passando por entre meus dedos e sentia sua temperatura aumentar gradualmente, encostei a cabeça no vidro do box, que estava totalmente embaçada pelo vapor da água e fiquei ali por algum tempo. Desliguei o chuveiro e puxei minha toalha, a enrolei em meu corpo e caminhei até a pia do banheiro. O espelho se encontrava embaçado pelo vapor e passei sobre ele uma das mãos para eu pudesse ver o meu reflexo, me deparei com meu rosto mais pálido que o normal, agora as manchas escuras das olheiras sob meus olhos, que estavam completamente vermelhos, ganhavam um destaque maior ainda e meus lábios estavam roxos, como se estivesse usando um batom escuro, "_Que estupidez! Eu vou acabar morrendo um dia se isso cintunuar!", disse para mim mesma num sorriso irônico.
Saí do banheiro, fui até o guarda-roupas e o abri, "_Não faço ideia do que tenho programado pra hoje, mas um pretinho básico resolve tudo. Ah claro, todas minhas roupas são pretas", pensei. Selecionei com muito cuidado uma roupa que se encaixaria a qualquer ocasião, me vesti e me vi vestida como estava todos os dias: uma camisa preta básica, um Jeans rasgado e meu Allstar favorito que estava em situações precárias, "Estou maravilhosa, ou não, tanto faz.", pensei comigo mesma enquanto me maquiava em frente a penteadeira. Peguei o celular que estava sobre o móvel, ao lado dele, o relógio marcava 6:12 AM, apertei a tecla central do celular e não havia nenhuma notificação, peguei meus fones de ouvido na gaveta da penteadeira e logo os coloquei, deixei meu celular no bolso da calça e fui ao encontro de meu pai na sala de jantar, como de costume.
Saí do quarto e enquanto descia as escadas de carvalho que eram polidas semanalmente, onde eu sempre brincava enquanto criança e ganhei uma cicatriz com quatro pontos na perna por ter escorregado em meus próprios cadarços quando chegava da escola a alguns anos, percebi que os móveis estavam todos embalados, era provável que Papai iria mudar toda a decoração outra vez, logo agora que eu estava me acostumando com aquele estilo vintage que papai teria adotado na França em sua última viagem ao país. Continuei a descer as escadas até a sala de estar e segui pelos corredores que levavam até a sala de jantar, ao chegar percebi que algo bom estava prestes a acontecer pela expressão no rosto de Papai, ou algo nem tão bom assim.
_Bom dia Lucy! Está preparada? Pois hoje iremos nos mudar, e um novo capítulo espera por você!_ ele disse, feliz e entusiasmado
Espantada, olhei para o calendário ao lado da mesa de café da manhã, era uma quarta feira, dia 25 de março de 2013, para ser exata. Fitei meu pai sentando a mesa por alguns segundos e o respondi, ironicamente:
_Ah Papai, eu queria tanto me mudar ontem, mas eu perdi a vontade._ uma lágrima se formou no canto do meu olho e ele a percebeu, se levantou da mesa, caminhou até mim, me deu um abraço agradável e disse:
_Minha querida, eu sei que você não quer ir, mas é uma nova forma de você conhecer lugares e pessoas novas, eu prometo que logo iremos retornar ao Brasil, eu sei que você estará deixando muita coisa para trás, mas você conquistará tudo outra vez. Agora limpe esse rostinho e tome café, já iremos sair._ Me deu um beijo no rosto e se retirou.
Retornei para o meu quarto e peguei minha mala de mão e meu livro favorito que estava junto a ela. Desci para a garagem, papai me esperava no carro, no Corolla para ser mais específica, pois ele tinha mais de quarenta carros, alguns colecionáveis com valores insubstituíveis. Ele acenou para mim que estava do lado de fora. Abri a porta traseira do lado direito, sorri para ele no retrovisor, coloquei meus fones e abri o livro, ele retribuiu meu sorriso com uma piscada de olho, ligou o carro e seguiu em direção ao Aeroporto, seguimos todo o caminho em silêncio .
(Ah meu Deus, onde eu estava com a cabeça! Olá muito prazer, eu sou Lucy Decker, tenho 16 anos, ou melhor, eu tinha, sou Brasileira mas moro na Dinamarca atualmente. Vou contar para vocês uma história bem complicada, porém com coisas incríveis, eu sou a protagonista dessa história e essa história, é a minha história....)
Chegando no Aeroporto, um dos motoristas particulares de Papai estava a nos esperar, eu não me lembro muito bem o nome dele, Charlie ou Charles, creio que algo do tipo, um homem alto com uma postura definida, já ouvi alguns dos empregados da minha casa, antiga casa na verdade, dizer que aquela postura se devia ao treinamento militar por qual ele passára, porém, se machucou em um teste e não pode mais servir por não conseguir mais correr, então meu pai lhe ofereceu emprego. Papai se aproximou dele é ambos começaram a conversar, não presteiatenção pois estava focada nos pombos que estavam no jardim do aeroporto. Me sentei num banco de madeira ali próximo, aumentei o volume da música no fone, uma lágrima escorreu pelo meu rosto, eu estava deixando a minha história para trás, a minha vida, os meus amigos... Ah, nunca tive amigos, sempre sozinha, as pessoas diziam que eu era "boa de mais" para me misturar a elas, eu nunca soube o motivo disso ao certo, mas nunca colaborou com a minha saúde mental. Enxuguei a lágrima com o dedo e me pus a observar os pombos.
_Lucy?_ meu pai chamou_ Vamos, o Avião já vai sair. Não podermos perder o vôo.
_Estou indo Papai. _ respondi rouca, prendendo o choro que estava dentro de mim._ me levantei e caminhei em direção ao meu pai que estava em pé na frente da porta do aeroporto, ele me olhou, deu um sorriso e disse tranquilo e sensato:
_Me desculpe minha querida, isso é necessário. Mas eu prometo que você não vai sofrer com isso._ acenei com a cabeça dizendo que sim, não queria chorar na frente de meu pai, um homem tão forte e corajoso, não merecia ter uma filha tão fraca e frágil como eu era.
Seguimos para a área de embarque, permaneci de fones por todo o percurso, Papai foi até um guichê para selar as bagagens e as passagens, me sentei em uma poltrona na ala de espera da Primeira Classe e me distraí passando os dedos pelo meu cabelo, quando me dei por mim, havia um garoto alto sentado a duas poltronas de mim, seus olhos eram castanhos como o Carvalho da escada da casa que eu havia abandonado aquela manhã, seus cabelos eram encaracolados e pareciam não ser penteados quase nunca, sua pele era branca, chegando a ser pálida feito papel, e suas vestes eram totalmente pretas, e assim como eu, ele também usava um Allstar surrado, ele estava olhando para mim, tentei disfarçar mas sem querer nossos olhos se encontraram e senti como se um milhão de borboletas saíssem do meu estômago, ambos disfarçaram o olhar. Fiquei vermelha, nunca havia tido tal reação ao encarar uma pessoa. Meu pai apareceu por trás de mim, vendendo meus olhos, ele me deu um beijo no rosto e me entregou um saquinho marrom e sussurrou:
_A viagem vai ser longa, não quero que você se sinta cansada quando chegarmos, esse remedinho vai te fazer dormir por todo trajeto do avião.
_Obrigada Papai_ eu disse tomando o saquinho dele, me levantei, abri o saquinho e tomei o comprimido que estava dentro.
Seguimos para embarcar no avião, olhei para a esquerda e o garoto misterioso estava no mesmo lugar com a cabeça baixa, Papai reparou q olhei para o rapaz e soltou uma piadinha a respeito:
_Não posso te deixar dez minutos sozinha que você se apaixona por um estranho gótico._ Não dei ouvidos e ele se calou. Seguimos para o embarque.
_27 & 28, 29 & 30... aqui estão nossos acentos, 31 & 32, querida, sente-se na janela._ caminhei até meu acento, as pessoas no avião olharam pra mim de uma forma estranha, bom, talvez um cabelo rosa chame muita atenção sim. Me sentei na poltrona, Papai sentou ao meu lado e segurou minha mão. Eu encostei a cabeça no vidro da janela, e antes mesmo do Avião levantar vôo, eu já estava dormindo
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Autora: Thatha Silveira

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